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10 — Guia de Estilo e Tom

Documento de Padronização da Escrita do Jogo “O Planalto”

Este documento define as regras de estilo, tom, vocabulário e estrutura para a escrita de todas as cartas, Cartas de Aprendizado, diálogos e finais do jogo. O objetivo é garantir consistência, clareza e impacto em todo o conteúdo textual.


10.01 — Fundamentação Teórica sobre Guias de Estilo

Seção intitulada “10.01 — Fundamentação Teórica sobre Guias de Estilo”

Um guia de estilo é essencial em projetos com grande volume de texto por três razões:

  1. Consistência — garante que todas as cartas tenham o mesmo tom e formato.
  2. Eficiência — acelera a escrita, evitando decisões repetitivas.
  3. Qualidade — estabelece padrões mínimos de clareza e impacto.

“Um guia de estilo não é uma camisa de força. É um mapa que permite que todos cheguem ao mesmo lugar.” — William Strunk Jr., The Elements of Style

O guia de estilo foi construído com base em:

Fonte Contribuição
Análise do público-alvo Jovens de 15 a 30 anos, periféricos e estudantes
Análise de referências Reigns, Senhor Presidente, Politize!, IAgora?
Pedagogia freiriana Linguagem dialógica, não bancária
Design de jogos sérios Microlearning, impacto, clareza
Comentários do Professor Alisson Linguagem direta, brutal, acessível
Princípio Descrição
Clareza O jogador deve entender a carta em menos de 10 segundos.
Impacto Cada carta deve deixar uma marca emocional ou intelectual.
Acessibilidade Sem jargão acadêmico. Sem rebuscamento.
Humanidade O texto deve soar como uma conversa, não como um manual.
Precisão Os dados devem ser corretos e verificáveis.
Brasilidade O texto deve ter a cara do Brasil, sem estereótipos.
  • STRUNK, William Jr.; WHITE, E.B. The Elements of Style. New York: Macmillan, 1959.
  • ORWELL, George. Politics and the English Language. 1946.
  • PINKER, Steven. The Sense of Style. New York: Viking, 2014.
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.

O tom do jogo é direto, humano e levemente irônico.

Característica Descrição Exemplo
Direto Sem rodeios. Vai ao ponto. “O hospital está sem médicos. A população protesta.”
Humano Fala com o jogador, não para ele. “Você decide. Mas alguém vai pagar a conta.”
Levemente irônico Usa ironia sem ser cruel. “O relator diz que é ‘modernização’. O povo chama de venda.”
O que evitar Por quê Exemplo ruim
Panfletário Afasta quem não concorda “Vote no PT para salvar o Brasil!”
Acadêmico Afasta quem não tem formação “A conjuntura política contemporânea evidencia…”
Sarcástico cruel Ofende o jogador “Só um idiota escolheria isso.”
Derrotista Desmotiva o jogador “Não adianta, tudo vai piorar.”
Ufanista Soa falso “O Brasil é o país mais maravilhoso do mundo!”
Neutro demais Não engaja “Há argumentos dos dois lados.”
Contexto Tom Exemplo
Problema da carta Direto, factual “O Congresso analisa um projeto de privatização.”
Opção A Propositivo, social “Vou investir em programas sociais.”
Opção B Pragmático, individual “Vou aumentar o policiamento.”
Consequência Irônico, brutal “A lei passa. O povo paga a conta.”
Carta de Aprendizado Didático, acessível “O relator tem poder de agenda. Quem controla a pauta, controla o país.”
Final negativo Sombrio, brutal “O povo é reduzido à mera sobrevivência.”
Final positivo Esperançoso, mas realista “Você não mudou o país com decreto. Mudou formando gente que pensa.”
  • ORWELL, George. Politics and the English Language. 1946.
  • THOMPSON, Hunter S. Fear and Loathing in Las Vegas. 1971.
  • RACIONAIS MC’S. Sobrevivendo no Inferno. 1997.

Elemento Tamanho Máximo Justificativa
Título da carta 5 palavras Legibilidade em mobile
Problema da carta 2 linhas (máx. 140 caracteres) Leitura rápida
Opção (A/B) Frase curta (máx. 25 caracteres, D-177) Cabe na carta durante o arraste
Consequência 1 linha (máx. 80 caracteres) Impacto rápido
Carta de Aprendizado (vivencia) 2 linhas Contexto
Carta de Aprendizado (conceito) 3 linhas Explicação
Carta de Aprendizado (dados) 3 linhas Evidência
Carta de Aprendizado (frase de impacto) 1 linha Memorabilidade
Final (descrição) 3 linhas Síntese
Final (citação) 2 linhas Impacto
Regra Descrição Exemplo
Voz ativa Prefira a voz ativa à passiva ✅ “O Congresso aprova a lei.” ❌ “A lei foi aprovada pelo Congresso.”
Presente do indicativo Use o presente, não o futuro ✅ “O povo protesta.” ❌ “O povo protestará.”
Segunda pessoa Fale com o jogador ✅ “Você decide.” ❌ “O governante decide.”
Frases curtas Máximo 20 palavras por frase ✅ “A lei passa. O povo paga.” ❌ “A lei passa e, consequentemente, o povo acaba pagando a conta.”
Parágrafos curtos Máximo 3 frases por parágrafo ✅ “O hospital está sem médicos. A população protesta. Você decide.”
Evite gerúndio Não use “fazendo”, “dizendo” ✅ “Ele diz que é modernização.” ❌ “Ele vai dizendo que é modernização.”
Evite advérbios Não use “muito”, “realmente” ✅ “O povo sofre.” ❌ “O povo sofre muito realmente.”
Categoria Use Evite
Coloquial “cara”, “porra”, “bagulho” (com moderação) Gírias datadas (“é o fino”, “chuchu beleza”)
Técnico “impeachment”, “orçamento”, “bancada” Jargão desnecessário (“conjuntura”, “paradigma”)
Brasileiro “povo”, “periferia”, “favela” Estrangeirismos (“establishment”, “deep state”)
Direto “morte”, “fome”, “violência” Eufemismos (“óbito”, “insegurança alimentar”)
Regra Descrição Exemplo
Ponto final Use ponto final em frases curtas “O povo paga a conta.”
Reticências Use para suspense “E daí?…”
Travessão Use para diálogo “— Você decide.”
Aspas Use para citações “O relator diz que é ‘modernização’.”
Exclamação Use com moderação “Liberdade ainda que tardia!”
Regra Descrição Exemplo
Números arredondados Prefira números arredondados ✅ “R$ 5 bilhões” ❌ “R$ 5.775.432.100,00”
Porcentagens Use o símbolo % ✅ “68% dos eleitores”
Milhares Use ponto como separador ✅ “1.000 jogadores”
Decimais Use vírgula como separador ✅ “R$ 5,7 bilhões”
  • STRUNK, William Jr.; WHITE, E.B. The Elements of Style. New York: Macmillan, 1959.
  • ORWELL, George. Politics and the English Language. 1946.
  • PINKER, Steven. The Sense of Style. New York: Viking, 2014.

┌─────────────────────────────────────────┐
│ TÍTULO (5 palavras) │
│ [Cor da opção na borda, ao arrastar] │
│ │
│ PROBLEMA (2 linhas) │
│ │
│ (lado de cada opção sorteado) │
│ [OPÇÃO A (1 linha)] [OPÇÃO B (1 linha)]│
│ │
│ CONSEQUÊNCIA: CONSEQUÊNCIA: │
│ [FRASE CURTA] [FRASE CURTA] │
│ │
│ CARTA DE APRENDIZADO: │
│ [VIVENCIA + CONCEITO + DADOS + FONTE] │
└─────────────────────────────────────────┘

O lado (esquerda/direita na tela) de cada opção é sorteado a cada partida (D-084); nos exemplos, “Opção A” e “Opção B” são nomes internos.

Campos no roteiro (docs/17_ROTEIRO_DAS_CARTAS.md §17.01.1): além do texto acima, cada carta registra Cor A / Cor B (cor de quem propõe cada opção, D-092), Eixo A / Eixo B (vetor [Eco, Dip, Soc, Est], −2 a +2; gdd/sistemas/04_eixo.md) e Aprendizado: APR-xxx (texto no doc 18, D-090).

Regras:

  • Máximo 5 palavras.
  • Direto, sem rodeios.
  • Deve resumir o dilema.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“Privatização da estatal” “O dilema da privatização da estatal de energia”
“Assaltos aumentaram” “A questão da segurança pública no bairro”
“Emenda para show” “A polêmica sobre o uso de emendas parlamentares”

Regras:

  • Máximo 2 linhas (140 caracteres).
  • Apresenta o dilema sem tomar partido.
  • Usa fatos concretos, não opiniões.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“O hospital público está sem médicos. A população protesta.” “O governo é negligente com a saúde pública e a população sofre as consequências.”
“O Congresso analisa um projeto de privatização. O relator quer mudar o texto.” “Os políticos corruptos querem vender o patrimônio nacional.”
“Uma seca histórica atinge o Nordeste. O governo precisa agir.” “A seca é um problema natural que o governo não consegue resolver.”

Regras:

  • Frase curta, até 25 caracteres, contando espaços e acentos (D-177). O /validate-cards e o jogo reprovam a opção mais longa.
  • Cada opção representa uma solução típica de um espectro político.
  • Sem rótulos explícitos de espectro político.
  • A e B são nomes internos: o jogo sorteia o lado de cada opção a cada partida e nunca o escreve na carta (D-084).

Exemplos:

Carta Opção A Opção B
Privatização “Nomear relator adversário” “Aceitar as mudanças”
Assaltos “Investir em programas sociais” “Aumentar o policiamento”
Saúde “Investir no SUS” “Privatizar a gestão”
Orçamento “Taxar grandes fortunas” “Cortar gastos sociais”

Regras:

  • Máximo 1 linha (80 caracteres).
  • Frase curta, de impacto.
  • Pode ser irônica, mas nunca cruel.
  • Mostra o resultado da escolha sem julgar.

Exemplos:

Carta Consequência A Consequência B
Privatização “A lei passa. O povo paga a conta.” “O relator é adversário. O projeto avança.”
Assaltos “A comunidade ganhou um centro cultural. Mas a sensação de insegurança continua.” “A polícia ocupa o bairro. As abordagens violentas aumentam.”
Saúde “Os médicos voltam. A fila diminui.” “A empresa privada assume. Os ricos são atendidos.”

Cada opção tem a cor partidária de quem a propõe (sem cor neutra). Ao arrastar, a borda da carta mostra a cor da opção daquele lado (D-092; docs/17_ROTEIRO_DAS_CARTAS.md §17.01.2). A tabela abaixo orienta a escolha da cor de cada opção:

Cor Espectro Quando usar
Vermelho Esquerda Carta sobre direitos trabalhistas, assistência social
Azul Centro-direita Carta sobre estabilidade econômica, reformas
Verde Agronegócio Carta sobre agronegócio, meio ambiente
Amarelo Centro Carta sobre governabilidade, negociação
Roxo Esquerda radical Carta sobre movimentos sociais, reforma agrária
Laranja Direita liberal Carta sobre privatização, desregulamentação
Preto Extrema-direita Carta sobre censura, militarização, pânico moral
  • ALLIOT, François. Reigns: Design Philosophy. 2016.
  • NERIAL. Reigns: Game Design Document. 2016.

Bloco Conteúdo Tamanho
1. O que você acabou de vivenciar Resumo da decisão 2 linhas
2. O conceito por trás Explicação do mecanismo 3 linhas
3. Dados reais Números e fatos 3 linhas
4. Fonte Origem dos dados 1 linha
5. Frase de impacto Reflexão final 1 linha

10.05.2. O Bloco 1 — O Que Você Acabou de Vivenciar

Seção intitulada “10.05.2. O Bloco 1 — O Que Você Acabou de Vivenciar”

Regras:

  • Resume a decisão tomada.
  • Usa segunda pessoa (“Você decidiu…”).
  • Contextualiza o conceito.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“Você decidiu se aceitava ou não as mudanças do relator.” “A decisão foi tomada.”
“Você escolheu entre investir no SUS ou privatizar a gestão.” “Você fez uma escolha.”
“Você decidiu se priorizava a segurança ou a prevenção.” “Você tomou uma decisão.”

Regras:

  • Explica o mecanismo institucional.
  • Usa linguagem acessível.
  • Conecta a decisão ao conceito.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“O relator tem poder de alterar o texto de um projeto. Isso se chama ‘poder de agenda’.” “O relator detém a prerrogativa regimental de emitir parecer sobre a proposição legislativa.”
“A dívida pública consome 40% do orçamento. Renegociá-la é uma decisão política.” “A dívida pública é impagável e sua renegociação é um imperativo categórico.”
“O encarceramento em massa não reduz a violência. Apenas fortalece as facções.” “A política de encarceramento em massa tem se demonstrado ineficaz na redução dos índices de criminalidade.”

Regras:

  • Apresenta números e fatos da realidade brasileira.
  • Usa fontes verificáveis.
  • Mostra que o jogo reflete o Brasil.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“A Eletrobras investiu apenas 1/5 do prometido após a privatização. 5 mil concursados foram demitidos.” “A privatização da Eletrobras foi um desastre.”
“O teto de gastos retirou R$ 37 bilhões do SUS entre 2018 e 2022. A expectativa de vida caiu de 76,2 para 72,8 anos.” “O teto de gastos prejudicou a saúde pública.”
“A polícia matou 11 pessoas por dia em 2024. 86% eram negras.” “A violência policial é um problema grave no Brasil.”

Regras:

  • Cita a origem dos dados.
  • Usa fontes confiáveis.
  • Formato: Nome da instituição, ano.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“Fonte: Agência Senado, 2026.” “Fonte: internet.”
“Fonte: IBGE, 2025.” “Fonte: um amigo me disse.”
“Fonte: CPT, 2025.” “Fonte: não sei.”

Regras:

  • Frase curta, memorável.
  • Deve ser um “soco no estômago”.
  • Pode ser citação de autor ou adaptação.

Exemplos:

✅ Bom ❌ Ruim
“O relator tem poder. Quem controla a pauta, controla o país.” “A importância do relator é fundamental no processo legislativo.”
“Cortar saúde não é ‘ajuste fiscal’. É uma escolha que mata.” “Os cortes na saúde têm consequências negativas.”
“A mentira repetida mil vezes torna-se verdade.” “A desinformação é um problema contemporâneo.”
┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ CARTA DE APRENDIZADO │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O QUE VOCÊ ACABOU DE VIVENCIAR: │
│ Você decidiu se aceitava ou não as mudanças do relator. │
│ │
│ O CONCEITO POR TRÁS: │
│ O relator tem poder de alterar o texto de um projeto. │
│ Isso se chama "poder de agenda". │
│ │
│ DADOS REAIS: │
│ A Eletrobras investiu apenas 1/5 do prometido após a │
│ privatização. 5 mil concursados foram demitidos. │
│ │
│ FONTE: Agência Senado, 2026. │
│ │
│ "O relator tem poder. Quem controla a pauta, controla o país."│
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
  • KOLB, David. Experiential Learning. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1984.
  • PINKER, Steven. The Sense of Style. New York: Viking, 2014.

Cada ator tem uma voz própria que reflete seu arquétipo:

Ator Voz Exemplo
Latifundiários Formal, autoritária “Vossa Excelência sabe que sem mim não governa.”
Investidores da Faria Lima Pragmática, chantagista “Se o governo não nos ouvir, o mercado reage.”
Construtoras Pragmática, sedutora “A cidade precisa crescer. E nós somos o crescimento.”
Empresariado Industrial Nacionalista, exigente “O Brasil precisa de indústria. Sem indústria, não há soberania.”
Setor de Universidades Privadas Técnica, fria “A educação é um mercado. E nós somos os melhores.”
Mercado Impessoal, técnica “O mercado não tem ideologia. Tem interesse.”
Tecnocratas Técnica, fria “Os indicadores apontam para a necessidade de ajuste fiscal.”
Militares Formal, autoritária “A ordem é a base da democracia. E nós somos a ordem.”
Servidores Públicos Formal, resistente “A máquina não para. Ou vocês negociam, ou ela trava.”
Diplomatas do Itamaraty Formal, estratégica “O Brasil não é colônia. É uma nação soberana.”
Líder da Câmara Pragmática, chantagista “O governo precisa de nós. E nós precisamos de emendas.”
Pastores Moralista, dogmática “Deus quer que você defenda a família!”
Sindicato dos Professores Didática, resistente “A educação é a única arma que o povo tem.”
Profissionais da Saúde Urgente, indignada “O hospital está sem remédios! O povo está morrendo!”
Líder Sindical Combativa, direta “O trabalhador não é mercadoria. É gente.”
MTST Combativa, indignada “Moradia não é mercadoria. É direito.”
MST Combativa, indignada “A terra é para quem trabalha nela.”
Movimentos Ambientais Urgente, científica “A floresta não é um obstáculo. É a nossa casa.”
Artista Engajado Poética, indignada “A arte é uma arma. E eu não vou entregar a minha.”
Meta Impessoal, sedutora “Conectamos o mundo. E o mundo nos pertence.”
Impérios Geopolíticos Impessoal, estratégica “O Brasil é um parceiro estratégico. Para nós.”
Coach Digital Motivacional, individualista “Você pode ser rico! Basta querer!”
Jornalista Independente Investigativa, corajosa “A verdade não pode ser censurada.”
Influenciador Progressista Didática, engajada “A gente não é ‘esquerda’. A gente é a favor da vida.”
Regra Descrição Exemplo
Voz ativa O ator fala diretamente ✅ “Você vai me ajudar.” ❌ “Gostaríamos que você nos ajudasse.”
Frases curtas Máximo 15 palavras ✅ “Ou você me ajuda, ou eu te ajudo.”
Sem jargão O ator fala a língua do povo ✅ “O povo está morrendo.” ❌ “A mortalidade infantil aumentou significativamente.”
Personalidade Cada ator tem um estilo próprio ✅ “Vossa Excelência sabe que sem mim não governa.”
Conflito O diálogo deve gerar tensão ✅ “Se o governo não nos ouvir, o mercado reage.”
  • MCKEE, Robert. Story: Substance, Structure, Style, and the Principles of Screenwriting. New York: HarperCollins, 1997.
  • EGRI, Lajos. The Art of Dramatic Writing. New York: Simon & Schuster, 1946.

Elemento Tamanho Exemplo
Título 2-3 palavras “Barbárie”
Descrição 3 linhas “O povo é reduzido à mera sobrevivência. A vida não vale nada.”
Citação 2 linhas “O povo é o que há de mais reles. Seu destino é ser um carvão humano que se queima na produção.”
Autor 1 linha “Darcy Ribeiro”
Regra Descrição Exemplo
Impacto A citação deve ser um “soco no estômago” ✅ “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu não sou coveiro.”
Precisão A citação deve ser correta ✅ “Liberdade ainda que tardia.” ❌ “Liberdade acima de tudo.”
Brasilidade Prefira autores brasileiros ✅ Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Josué de Castro
Diversidade Use autores de diferentes espectros ✅ Brizola, Freire, Bolsonaro, Hitler
Contexto A citação deve fazer sentido com o final ✅ “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.” (Desintegração)
Final Citação Autor
Barbárie “O povo é o que há de mais reles. Seu destino é ser uma mera força de trabalho, um carvão humano que se queima na produção.” Darcy Ribeiro
Alienação Total “A massa não pensa, a massa segue. Quem não pensa, obedece.” MV Bill
Colônia “Em lugar do cidadão formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário.” Milton Santos
Desintegração “A integridade do debate público foi destruída. Não há mais critério de verdade.” Adaptação
Revolta Popular “Liberdade ainda que tardia.” Inconfidência Mineira
Estado Policial “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Ditadura Militar
Populismo Autoritário “O indivíduo nada é e nada vale.” Adolf Hitler
Genocídio Institucionalizado “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu não sou coveiro, tá certo?” Jair Bolsonaro
República Soberana e Popular “A educação é o único caminho para emancipar o homem.” Leonel Brizola
Fome como Escolha Política “A fome não é um problema de produção, mas de distribuição.” Josué de Castro
  • RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
  • CASTRO, Josué de. Geografia da Fome. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1946.

O que evitar Por quê Exemplo ruim Como corrigir
Jargão acadêmico Afasta o público jovem “A conjuntura política contemporânea evidencia” “A política hoje mostra”
Estrangeirismo Não é acessível “O establishment político” “A elite política”
Eufemismo Esconde a realidade “Insegurança alimentar” “Fome”
Passividade Não engaja “A lei foi aprovada” “O Congresso aprovou a lei”
Frases longas Cansa o leitor “A lei passa e, consequentemente, o povo acaba pagando a conta.” “A lei passa. O povo paga.”
Advérbios Enfraquece o texto “O povo sofre muito” “O povo sofre”
Clichês Soa falso “Vamos lutar juntos!” “Vamos organizar a resistência.”
Sarcasmo cruel Ofende o jogador “Só um idiota escolheria isso.” “Essa escolha tem consequências.”
Panfletagem Afasta quem não concorda “Vote no PT!” “Você decide. Mas alguém vai pagar a conta.”
Ufanismo Soa falso “O Brasil é o país mais maravilhoso do mundo!” “O Brasil tem jeito. Mas precisa de luta.”
Derrotismo Desmotiva “Não adianta, tudo vai piorar.” “A luta continua. Sempre continua.”
Neutralidade excessiva Não engaja “Há argumentos dos dois lados.” “Você escolhe. E a escolha tem preço.”
Antes Depois
“A conjuntura política contemporânea evidencia um cenário de polarização acentuada.” “O Brasil está dividido. E a divisão impede a gente de ver o que importa.”
“A implementação de políticas públicas de austeridade fiscal resultou em retrocessos sociais.” “Cortar gastos sociais fez o povo passar fome.”
“O establishment político brasileiro mantém práticas clientelistas.” “A elite política brasileira troca favor por voto.”
“A sociedade civil organizada promoveu manifestações populares.” “O povo foi às ruas.”
“É mister que se promova a conscientização da população.” “O povo precisa acordar.”
  • ORWELL, George. Politics and the English Language. 1946.
  • STRUNK, William Jr.; WHITE, E.B. The Elements of Style. New York: Macmillan, 1959.
  • PINKER, Steven. The Sense of Style. New York: Viking, 2014.

┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ CARTA: Privatização da estatal │
│ [Borda Laranja] │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O Congresso analisa um projeto de privatização da estatal │
│ de energia. O relator quer mudar o texto para beneficiar │
│ uma empresa doadora. │
│ │
│ Opção A Opção B │
│ Nomear relator adversário Aceitar as mudanças │
│ │
│ CONSEQUÊNCIA: CONSEQUÊNCIA: │
│ A lei passa. O relator é adversário. │
│ O povo paga a conta. O projeto avança. │
│ │
│ CARTA DE APRENDIZADO: │
│ Você decidiu se aceitava ou não as mudanças do relator. │
│ O relator tem poder de alterar o texto. Isso se chama │
│ "poder de agenda". │
│ A Eletrobras investiu apenas 1/5 do prometido após a │
│ privatização. 5 mil concursados foram demitidos. │
│ Fonte: Agência Senado, 2026. │
│ "O relator tem poder. Quem controla a pauta, controla o país."│
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘
┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ CARTA: Hospital sem médicos │
│ [Borda Vermelha] │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O hospital público está sem médicos e sem leitos. │
│ A população protesta. O governo precisa agir. │
│ │
│ Opção A Opção B │
│ Investir no SUS Privatizar a gestão │
│ │
│ CONSEQUÊNCIA: CONSEQUÊNCIA: │
│ Os médicos voltam. A empresa privada assume. │
│ A fila diminui. Os ricos são atendidos. │
│ │
│ CARTA DE APRENDIZADO: │
│ Você decidiu se investia no SUS ou privatizava a gestão. │
│ O SUS é o maior sistema público de saúde do mundo. │
│ O teto de gastos retirou R$ 37 bilhões do SUS entre │
│ 2018 e 2022. A expectativa de vida caiu de 76,2 para 72,8. │
│ Fonte: IBGE, 2025. │
│ "Cortar saúde não é 'ajuste fiscal'. É uma escolha que mata."│
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

10.09.3. Exemplo 3 — Carta de Ator (Latifundiários)

Seção intitulada “10.09.3. Exemplo 3 — Carta de Ator (Latifundiários)”
┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ CARTA: O Latifundiário cobra o favor │
│ [Borda Preta] │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O Latifundiário oferece 50 mil votos em troca de controle │
│ total sobre a nomeação de juízes e delegados em sua região.│
│ │
│ Opção A Opção B │
│ Recusar Aceitar │
│ │
│ CONSEQUÊNCIA: CONSEQUÊNCIA: │
│ O Latifundiário fica furioso. O Latifundiário garante │
│ Mas a dignidade é preservada. votos. Mas a impunidade │
│ aumenta. │
│ │
│ CARTA DE APRENDIZADO: │
│ Você decidiu se cedia ou não ao Latifundiário. │
│ O coronelismo é o clientelismo. O voto de cabresto ainda │
│ existe: o coronel controla a vida e a morte de sua região. │
│ A Lei de Terras de 1850 consolidou a concentração │
│ fundiária. O coronelismo se adaptou: do senhor de engenho │
│ ao dono da Faria Lima. │
│ Fonte: Darcy Ribeiro, 1995. │
│ "O coronel não pede. Ele cobra. E a moeda é a lealdade." │
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘
┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ FINAL: Barbárie │
│ [Cor: Vermelho Escuro] │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O povo é reduzido à mera sobrevivência. │
│ A vida não vale nada. │
│ O Estado não existe mais para o povo. │
│ │
│ "O povo é o que há de mais reles. │
│ Seu destino é ser uma mera força de trabalho, │
│ um carvão humano que se queima na produção." │
│ │
│ — Darcy Ribeiro │
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘
Seção intitulada “10.09.5. Exemplo 5 — Final (República Soberana e Popular)”
┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ FINAL: República Soberana e Popular │
│ [Cor: Verde] │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ │
│ O país é dono de si. │
│ Cuida do seu povo. │
│ O povo é consciente. │
│ │
│ "A educação é o único caminho para emancipar o homem. │
│ Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas │
│ apenas para alguns privilegiados." │
│ │
│ — Leonel Brizola │
│ │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

# Item ✅
1 O título tem no máximo 5 palavras? ☐
2 O problema tem no máximo 2 linhas? ☐
3 As opções têm no máximo 1 linha cada? ☐
4 As consequências têm no máximo 1 linha cada? ☐
5 Cada opção tem uma cor partidária (Cor A / Cor B)? ☐
6 A carta tem uma Carta de Aprendizado? ☐
7 O texto está na voz ativa? ☐
8 O texto está no presente do indicativo? ☐
9 O texto fala com o jogador (segunda pessoa)? ☐
10 O texto evita jargão acadêmico? ☐
# Item ✅
1 O bloco “vivencia” resume a decisão? ☐
2 O bloco “conceito” explica o mecanismo? ☐
3 O bloco “dados” tem números e fatos? ☐
4 O bloco “fonte” cita a origem? ☐
5 A “frase de impacto” é um soco no estômago? ☐
6 O texto está na voz ativa? ☐
7 O texto está no presente do indicativo? ☐
8 O texto fala com o jogador (segunda pessoa)? ☐
9 O texto evita jargão acadêmico? ☐
10 O texto tem no máximo 3 linhas por bloco? ☐
# Item ✅
1 A descrição tem no máximo 3 linhas? ☐
2 A citação tem no máximo 2 linhas? ☐
3 A citação é de um autor confiável? ☐
4 A citação faz sentido com o final? ☐
5 O autor está creditado? ☐
6 A citação é um soco no estômago? ☐
7 O final tem uma cor? ☐
8 O final tem um ícone? ☐
9 O texto está na voz ativa? ☐
10 O texto evita jargão acadêmico? ☐
# Item ✅
1 O ator tem uma voz própria? ☐
2 O diálogo tem no máximo 15 palavras? ☐
3 O diálogo está na voz ativa? ☐
4 O diálogo evita jargão? ☐
5 O diálogo gera tensão? ☐
6 O diálogo reflete o arquétipo do ator? ☐
7 O diálogo está alinhado com o que o ator oferece/cobra? ☐
8 O diálogo evita estereótipos? ☐
9 O diálogo é acessível ao público-alvo? ☐
10 O diálogo está no presente do indicativo? ☐

  • EGRI, Lajos. The Art of Dramatic Writing. New York: Simon & Schuster, 1946.
  • MCKEE, Robert. Story: Substance, Structure, Style, and the Principles of Screenwriting. New York: HarperCollins, 1997.
  • ORWELL, George. Politics and the English Language. 1946.
  • PINKER, Steven. The Sense of Style. New York: Viking, 2014.
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  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
  • KOLB, David. Experiential Learning. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1984.
  • ALLIOT, François. Reigns: Design Philosophy. 2016.
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  • CASTRO, Josué de. Geografia da Fome. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1946.
  • RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
  • SANTOS, Milton. O Espaço do Cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.
  • RACIONAIS MC’S. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, 1997.
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Última atualização: Outubro de 2026 Versão: 2.0 (completa)

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